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7º Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura - Melhor CD Erudito 2011.
Apelidado por Villa-Lobos de "Paganini brasileiro", o compositor e violinista mineiro Flausino Rodrigues Vale (1894-1954) foi uma das mais importantes figuras da vida musical de Belo Horizonte na primeira metade do século XX. Advogado, poeta, professor, violinista virtuose e compositor, ele tocou em orquestras de cinema mudo, foi spalla da Sociedade de Concertos Sinfônicos, atuou intensamente na rádio local, escreveu livros e foi um dedicado professor de história da música e folclore no Conservatório Mineiro de Música. Mas, principalmente, Flausino foi músico virtuose e autor de obra singular na literatura violinística brasileira, os 26 Prelúdios característicos e concertantes para violino só. Alguns destes prelúdios integraram (e ainda integram) o repertório de grandes violinistas internacionais como Jascha Heifetz, Isaac Stern, Zino Francescatti e Itzhak Perlman. As peças podem ser descritas como miniaturas virtuosísticas para o violino, que combinam o uso de temas e referências ao universo popular com a utilização da técnica tradicional do instrumento, aliada a procedimentos pouco usuais de escrita.
A obra, que até então nunca havia sido registrada na íntegra, recebe neste CD-livro sua primeira gravação mundial pelas mãos do violinista e maestro Cláudio Cruz. Flausino constantemente retrabalhava suas obras e, para algumas delas, deixou mais de uma versão. Assim, estão no disco versões "a" e "b" dos prelúdios "Viola destemida" e "Resquiescat in pace". Mas o ineditismo do projeto não se esgota no registro da integral: o disco também traz, igualmente pela primeira vez, dois dentre os muitos arranjos para violino solo que Flausino Vale fez ao longo da vida: Tico-tico no fubá, de Zequinha de Abreu, e O cisne, de Camille Saint-Saëns. E, como bônus, o CD traz um registro histórico do próprio Flausino ao violino, executando dois de seus prelúdios: Repente e Batuque em gravação realizada no dia 10 de setembro de 1931.
O livreto de 40 páginas que acompanha o disco traz um artigo biográfico sobre o compositor e uma análise de sua obra pela coordenadora geral do projeto, Camila Frésca, além de um texto introdutório pela professora e pesquisadora da USP Flávia Camargo Toni. O material se completa com fotos do acervo da família Valle que mostram o compositor em diversas situações: no dia de seu casamento, tocando no cinema com um pequeno conjunto orquestral e ao lado de Villa-Lobos.
Cláudio Cruz
Um dos mais brilhantes violinistas brasileiros de sua geração, Cláudio Cruz iniciou-se na música com seu pai, o luthier João Cruz. Mais tarde, foi orientado por Erich Lehninger e Maria Vischnia, complementando ainda sua formação em cursos ministrados por Joseph Gingold, Chaim Taub, Kenneth Goldsmith e Olivier Toni. Cláudio é vencedor de diversos concursos no Brasil, e acumula premiações como a da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1985 e 1997) e o Prêmio Carlos Gomes (2002 e 2006). Em 1991 estreou na Europa como solista da Kammerorchester Berlin, e desde então tem sido convidado a atuar como solista e camerista naquele continente, bem como nos Estados Unidos, América Latina e Japão. Spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) desde 1990, foi primeiro violino do Quarteto Amazônia e ocupou por dez anos o cargo de diretor musical da Orquestra de Câmara Villa-Lobos.
Em sua premiada discografia destaca-se a gravação, na Itália, de obras de Henrique Oswald, Villa-Lobos, Edino Krieger e Ronaldo Miranda, bem como obras de Debussy e Villa-Lobos com o pianista Michel Dalberto, na Suíça, em 2009. Deixou também gravado em discos seu trabalho com a Orquestra de Câmara Villa-Lobos e com o Quarteto Amazônia - com destaque para o CD "Adiós Nonino" que registrou tangos de Piazzola e foi ganhador do Grammy Latino, em 2002. Já como solista da Osesp, gravou recentemente os concertos para violino de Max Bruch e Tchaikovsky.
Desenvolvendo paralelamente intensa atividade como maestro, apresentou-se frente a algumas das mais importantes orquestras brasileiras, como Osesp, Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, Orquestra do Teatro Nacional de Brasília e Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Regeu ainda a Symphony of the Americas (EUA), a Metropole Orkest (Holanda), a Orquestra de Câmara de Osaka, no Japão, e a Sinfônica de Avignon, na França, entre outras. De 2003 a 2005, foi regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, e desde 2005 dirige a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto.
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